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A ARTE DOS BENSHI E O CINEMA MUDO JAPONÊS

ARTE BENSHI

Arte Benshi

A era do cinema mudo no Japão caracterizou-se por um elemento cinematográfico peculiar sob a forma de katsudo-shashin-benshi (abreviado para katsudō-benshi – que significa "imagens em movimento", ou benshi - narrador).

Desde o primeiro filme exibido no Japão, em 1896, e até ao fim da era do cinema mudo, em 1939, uma pessoa, ou um grupo de pessoas, forneceu sempre uma componente verbal à sessão de cinema. O benshi ajudava os espetadores a entenderem o que acontecia na tela do cinema através de narração vocal conhecida como setsumei – explicação.

Os artistas benshi podiam dar vida e voz às personagens dos filmes, preencher lacunas nos enredos, fornecer informações básicas ou elaborar os pensamentos e sentimentos das personagens.

 

Embora se possa encontrar exemplos de narração cinematográfica semelhante em outras partes do mundo, o Japão é o único lugar onde os narradores provaram ser uma parte influente e integral do cinema mudo.

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8 outubro | 21h30
Cinema Charlot

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Música e performance Benshi
Atsuko Kamura

Uma página de loucura

 

Teinosuke Kinugasa (JPN, 1926, 70 min.)

Elenco: Masao Inoue, Yoshie Nakagawa, Ayako Iijima, Hiroshi Nemoto, Misao Seki

Produção: Shin Kanaku-Ha Eiga Renmei

Título original: Kurutta ippêji

Cópia: Lobster Films

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Um homem consegue emprego como zelador num manicómio para ficar perto da sua esposa. Embora ela sofra de angústia mental genuína, o homem acredita que pode salvá-la.

Apesar de a ausência de intertítulos pareça deixar grande margem para a livre interpretação do espetador sobre o que exatamente se passa no enredo, é importante lembrar que o filme foi originalmente exibido acompanhado de narração por um benshi profissional, a qual, sem dúvida, ajudou a tornar “Uma página de loucura” mais acessível aos espetadores japoneses originais, ao nível da história, do que aos espetadores de hoje.

A perda de cerca de um quarto da duração original do filme também pode ter aumentado a sua característica vanguardista. Usando sobreposições, padrões visuais rápidos e insistentes, sequências de fantasia e a extravagância visual dos atores que encarnam personagens loucos, “Uma página de loucura” constrói uma atmosfera de intensidade surpreendente, retratando uma contínua discordância entre a realidade subjetiva e objetiva.

In "A Page of Madness: Cinema and Modernity in 1920s Japan", Aaron Gerow, 2008